Escrito por Bispo Emir castro de Macedo
A Graça Divina
Como podemos
desfrutar de algo que melhore o nosso íntimo?
É fazermos
constantemente uma introspecção, e se temos realmente cumprido a ordem divina
que é: Deixai de fazer o mal, e, ainda nessa reflexão se aprendemos a fazer o
bem, praticando o que é reto. Isaías 1:16,17 – “Lavai-vos,
purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai
de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao
opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas.”
Indubitavelmente,
não podemos aprender a fazer o bem, antes de cessarmos de fazer o mal. Quando
entramos na ação da obediência a esse santo preceito, podemos entender quanto é
profundo o propósito de Deus – quanto a sua GRAÇA infinita, e, com isso mostrando-nos
a completa nulidade da depravação da natureza humana.
O ser humano
não pode desfrutar de real felicidade, até curvar a sua cabeça perante a
soberania da GRAÇA, examinando a sua posição de pecador que é, sem direito de
exigir ou ditar coisa alguma que julgue merecer, mas, pela fé, e simplesmente,
tomar posse daquilo que Deus tenha para lhe conceder, e com prazer.
O filho pródigo, podia falar que na realidade desejava ser servo, sendo que não merecia
esse lugar, se fosse considerado o seu mérito. Mas confessando a sua
indignidade, foi interrompido pela palavra para aceitar aquilo que o PAI, quis
dar-lhe. O lugar mais elevado, de honra, o próprio lugar de comunhão consigo.
Compreendemos
que assim tem que ser sempre. À medida que avançamos, dia após dia, como a luz
da aurora de Provérbios 4:18, descobrindo o que somos, precisando de mais
brilho, necessitando manter os nossos pés sobre o fundamento sólido da graça
divina, que é o único sustentáculo de nossa evolução progressiva na
irremediável ruína deste mundo, envolvido pela infinita graça que tem a sua
origem no próprio Deus, seguindo seu curso em Cristo Jesus O Senhor, e o poder
de sua aplicação e pleno gozo no Espírito Santo.
Provérbios 4:18 – “Mas a vereda dos justos é como
a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.”
O Deus Trino e Uno, Santo e
Verdadeiro, se revela com a graça que salva, o pobre pecador. Graça que reina
pela Lei cumprida, estabelecendo justiça para a vida eterna por nosso único
Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Romanos 5:21 – “Para que, assim como o pecado
reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por
Jesus Cristo nosso Senhor.”
Graça que entendemos acompanhar os
pecadores no passado, sendo chamados para serem servos de Deus, a exemplo de
Jacó em quem temos uma inequívoca demonstração do notável poder da GRAÇA
DIVINA, manifestada pela simples razão de vermos força da natureza humana em
toda a sua fragilidade e irregularidade deformadora, acompanhada pela GRAÇA em
toda a sua beleza moral e poder de transformação.
A vida de Jacó no ventre de Rebeca,
no nascimento e na sua carreira, mostra-nos o que realmente são os impulsos da
natureza, característicos semelhantes ao de um fundo negro, dando um maior
realce de relevo à GRAÇA, quando o Senhor se revela como o Deus de Jacó. Que
agradável expressão de graça, que nos permite entender o que o homem realmente
é na sua profunda miséria e degradação e o que Deus é, perfeito em santidade,
perfeito em graça e perfeito em misericórdia que desceu até esse homem, para
estabelecer o diálogo com ele, mostrando o seu estado, e erguê-lo dali para uma
livre comunhão, fazendo-o compreender o seu desejo de tirar-lhe os seus pecados
e fraquezas.
Tudo isso nos leva ao discernimento,
de que Deus não precisava do auxílio de elementos como a esperteza de Rebeca e
o grosseiro método usado por Jacó para conseguir os seus propósitos. Deus havia
dito que o maior serviria ao menor e isso era o bastante. Vemos a natureza
humana sempre na ação de desconfiança, interferindo no tempo da ação de Deus,
trazendo com isso sérias consequências.
Isaque, moribundo, à beira da
eternidade teve a sua natureza ocupada com um guisado gostoso, prestes a agir
em oposição direta ao designo divino, abençoando o mais velho em vez do mais
moço. Entendemos que Isaque daria a bênção em troca de caça e entraria no
espírito de Esaú que vendeu a primogenitura por um guisado de lentilhas.
A interferência de Jacó nos planos
divinos, custou-lhe sérias consequências, empreendendo uma fuga para novas
experiencias na casa de seu tio Labão. Todavia Deus não o abandonara. Tinha um
plano com ele, plano que consistia em mudar o seu nome de Jacó para Israel, no
belíssimo e profundo acontecimento no Val de Jaboque, quando o fundo negro e
dominante de sua natureza, foi rompido durante a noite dando-lhe a bênção de
desfrutar do brilho do Sol em Peniel.
Bendito seja para sempre o Deus de
Abrão, de Isaque e de Jacó. O Deus da graça. O Deus do glorioso resgate que
desde a eternidade havia preparado o único meio para tirar o pecador das garras
do cruel sequestrador. Esse meio único e exclusivo, é a pessoa gloriosa de
Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Deixemos correr em nós, a água
oferecida em João 7:37 - (“No último dia, o grande dia da
festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.”), passando a discernir e conhecer o
turbilhão de correntes várias que se movimentam com rapidez superficial,
envolvendo uma religiosidade voltada para a terra, com pensamentos, sonhos e
promessas, contrariando e desvirtuando a verdadeira FÉ, que pode pressentir
que, o juízo divino está próximo e a porta da graça será em breve fechada.
Devemos entender que somente a
Palavra de Deus, como disse Davi, é lâmpada para os nossos pés, e fundamento
que jamais poderá ser abalado, que nos liberta da ilusão, para nos conceder uma
real esperança, destruindo a cisterna rota que não retêm a água, nos dando o
manancial de águas vivas.
Jeremias 2:12,13 – “Espantai-vos disto, ó céus, e
horrorizai-vos! Ficai estupefatos, diz o Senhor. Porque dois males cometeu o
meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas,
cisternas rotas, que não retêm as águas.”
João 7:37 - “No último dia, o grande dia da
festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.”,
Lembremo-nos de Noé, seguindo o seu
exemplo, que se ocupou na construção da arca, para nela estar em segurança,
rompendo o vendaval do juízo divino, sendo conduzido através das águas da
aflição. Que belo exemplo, enfrentou a adversidade, numa época de envolvimento
terreno, em detrimento da advertência divina que a destruição viria. Roubaram
do futuro e se perderam agarrados ao presente adquirido em desobediência à
Palavra de Deus. Noé, teve uma ação contínua e sempre presente na Palavra de
Deus, garantiu vida abundante, podendo dizer no Monte Ararate, foi para minha
alegria hoje, que passei por tamanha aflição.
Como fugir ou se ausentar da
desolação do momento plantando a semente entre os espinhos?
A Igreja do Senhor Jesus, no meio de
toda a desolação do momento, já encontrou o seu lugar de repouso e a sua porção
na Palavra do Espírito que é a nossa arca salvadora cuja porta está segura pelo
próprio Deus. Digo mão, entendendo ser a sua mão direita, porque a mão esquerda
será a do juízo. Mão direita que nos fechará eternamente em Cristo, quando o
dia da graça for fechado, mostrando os eficientemente salvos e os
irremediavelmente perdidos. Sendo que os irremediavelmente perdidos, agiram
como se a terra lhes pertencesse por direito de posse para sempre. Se apegaram
ao transitório esquecendo-se do eterno. Pensavam, falavam e entravam em ações
da própria vontade, quem sabe até em nome de Deus, falando de dias de paz,
prosperidade, como resultados de misturas que enganam por algum tempo,
reproduzindo uma paz ilusória influenciada de opiniões preconcebidas,
alicerçadas no amor ao dinheiro, raiz de todos os males, e, absorvidos pelas
coisas temporais, esqueceram a longanimidade de Deus, fechando os seus ouvidos
e olhos ao testemunho do seu servo, Pregoeiro da Justiça – Noé.
Naquela época, como hoje, a terra se
encheu de violência, enquanto o homem procurava tornar o mundo um lugar
agradável, mas inconveniente para Deus. Quando o homem emprega sua sabedoria,
com o fim de cobrir com sua própria roupagem os defeitos e manchas da
humanidade, que em breve aparecerão com as deformidades mais repugnantes do que
nunca. Nada deste mundo vil, com suas ações de justiça própria, inversões de
valores, sabedoria humana, resolvem os problemas do ser humano. E longe de
preparar a casa para Cristo, preparam-na sim para o anticristo.
Com tudo isso, o Espírito Santo está
trabalhando na reconciliação. Agora é tudo de graça. Onde abundou o pecado
superabundou a graça divina. Fala ao pecador de uma redenção, perdoando o
pecado por meio do sacrifício com derramamento do precioso sangue de Jesus
Cristo, na cruz do calvário. Mas há de se entender, que a rejeição a tão pura
graça proclamada, levará a uma pura ira pela dívida pendente, que o devedor não
aceitou a sua justificação.
Os cristãos, nesse tempo de tantas
intervenções humanas, necessitam ter muito cuidado e discernimento, com os
inumeráveis métodos humanos com variadas ordenações juntadas a Cristo Jesus O
Senhor e a verdadeira obra do Espírito, e assim, o pecador não é salvo somente
por Cristo, mas pelo contrário, é convencido que honra a Cristo, quando se
preocupa com todas as ordenanças, cada vez mais diferenciadas, e
divinizando-as, deixam cada vez mais de lado, a verdadeira adoração, podendo
entrar na profanidade e o misticismo.
O homem quando sai da Palavra, e não
dá atenção ao brado de vitória no calvário, “tudo está consumado!”, e em João
15:5 – “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele,
esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”, onde quer que esse
homem for, veremos só fracasso. No Éden falhou; Noé falhou, falhou em Canaã e
continua falhando na igreja. Vejamos o que o Espírito Santo diz sobre Noé: Gênesis
6:9 – “Estas são as gerações de Noé. Noé era homem justo e perfeito em
suas gerações; Noé andava com Deus.”
A graça divina tinha coberto Noé com
um manto de justiça. Não podemos sair desse plano de justiça divina, consumado
na cruz do calvário, quando a nuvem negra, ao meio dia, carregada com o juízo
divino, foi descarregada sobre o Cordeiro de Deus. Que precioso paradoxo,
descobrimos quando dessa negridão que jamais houve, vemos o amor de Deus,
eterno amor, penetrando naquela obscuridade, dissipando-a com a brilhante luz
de seu imensurável amor, com o brado de vitória rompendo de entre as trevas,
“tudo está consumado!” Obrigado Senhor Jesus.