Escrito por Bispo Emir Castro de Macedo
Ninguém pode servir a dois
senhores.
Façamos
nossas as palavras de Davi no Salmo 119:105: “Lâmpada
para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho”. Meditar
na Palavra de Deus equivale a relembrar-nos das trágicas
consequências de uma atitude contrária à vontade revelada de
Deus. Lutar contra a Palavra para satisfazer o EGO ferido e
procurar curá-lo e não destruí-lo de uma só vez, pode levar o
incauto a uma ação impossível de voltar atrás – Hebreus 6:4.
Em
Mateus 27:24, Pilatos lavara as mãos perante o povo, dizendo:
“Estou inocente do sangue deste justo, fique o caso convosco”. Mas será
que Pilatos escapou dos acontecimentos que envolveram a
crucificação de Jesus? A quem chicoteara e condenara à morte?
Teria ele ficado tranquilo quando o véu do templo foi rompido em
duas partes? Não podemos amoldar a Palavra às nossas razões
humanas, aos nossos interesses mesquinhos e pessoais, e sim à
submissão à VIVA E EFICAZ Palavra de Deus, reconhecendo
que só a Palavra pode tornar cada um de nós um vaso de honra para ornamento da glória
celeste.
Pilatos
mutilou Jesus para apresentá-lo à multidão. Muitos estão
procedendo da mesma forma quando, por interesses meramente
humanos, materiais, pecuniários e defesa do EGO, deformam
a Palavra de Deus. Lembremo-nos de Apocalipse 19:13 – “Estava
vestido de uma veste salpicada de sangue, e o nome pelo qual se chama é a
palavra de Deus”. Como ter comunhão com um representante que
se torna indigno e que abusa de sua condição de direção para
atingir seus próprios fins? Que, na verdade, representa a si
próprio, ocasionando opressão àqueles que se encontram sob sua
autoridade. Mas Deus está alerta para as necessidades dos
oprimidos espiritualmente, e levará os opressores a um ajuste de
contas. A Palavra de Deus é imutável e se cumprirá aos que se
recusam deliberadamente a entender a luz e persistem em andar em
trevas.
Agora,
uma pergunta: Como você reagiu emocionalmente quanto às últimas
palavras lidas neste livro? Ficou irritado por ver abordada uma
questão tão íntima? Se essas coisas incomodam é porque confirmam
as palavras do Senhor Jesus: “Ninguém pode servir a dois senhores:
porque ou há de aborrecer-se de um, e, amar ao outro; ou se devotará a
um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” –
Mateus 6:24.
Quando
Jó perdeu tudo, rasgou o seu manto, rapou a cabeça, lançou-se em
terra, e adorou – Jó 1:20. Que confirmação maravilhosa da
continuação do Alfa de Jó, que perseverou reagindo à insinuação
da própria esposa para que se revoltasse contra Deus, estando no
monturo, em cinza, se raspando com um caco – Jó 2:8-10. Caminhou
espiritualmente para o Ômega, e mudou o Senhor a sorte de Jó e
deu-lhe em dobro de tudo o quanto antes possuíra – Jó 42:10.
Olhando
esses fatos de um ponto de vista meramente humano, eu seria o
primeiro a condenar a prática tão comum de explorar o pobre, seja
por meio dos interesses econômicos, ou pela manipulação
religiosa. Contudo, tenhamos cuidado para não contrariarmos a
Palavra de Deus. Precisamos, antes, enxergar essas coisas
mediante a perspectiva divina. Ler Lucas 6:38. A Palavra de
Deus é para os ricos, pobres e classe média. Ler Marcos 12:42-44 – A
viúva pobre. Jesus não disse à viúva que ficasse com seu
dinheiro. Pelo contrário, Ele a louvou, porque em seu coração
sabia que Deus cuidaria dela, pois aquelas duas pequenas moedas
eram como duas sementinhas plantadas no coração dele e que fariam
multiplicar os dons dela em sua conta divina.
De
maneira nenhuma, podemos aceitar os que se especializam na
exploração econômica do servo ingênuo, que usam suas técnicas de
controle de massas, criando cenas de histeria com promessas de
libertações, curas, expulsão de demônios, preces poderosas,
oração forte, sempre em troca de uma oferta para aquela obra. Não
podemos deixar as bênçãos e promessas que vêm da obediência à
poderosa Palavra de Deus.
Deus
há de guiar as Suas ovelhas, protegendo-as dos lobos que,
disfarçadamente, entram no meio do rebanho. “Pelos seus frutos os
conhecereis”.
I
Reis 17:8-16: Deus ordenara ao profeta Elias que
fosse a Sarepta e se alimentasse dos poucos recursos de uma pobre
viúva.
Ele
não pode ser considerado egoísta, insensível e cruel, porque
pediu uma parte do “restinho” de alimento que a mulher possuía
para si e seu filho. Ele não estava sendo cruel, pois estava confiando
na fidelidade da Palavra de Deus. Logo em seguida, ele disse: “Porque
assim diz o Senhor Deus de Israel: a farinha da tua panela não se
acabará e o azeite de tua botija não faltará, até ao dia em que o Senhor
fizer chover sobre a terra”.
II
Reis 5:15-16: O profeta Eliseu não aceitou de Naamã
um presente por o haver curado, porque não quis invalidar a graça divina.
Geazi, o moço de Eliseu, agiu com cobiça – II Reis 5:20-27 –
ficando também com suas sequelas.
Não
podemos nos esquecer da necessidade de uma comunhão cada vez
maior com Jesus. Somos falíveis e, muitas vezes, teimosos; e como
custam caro nossas transgressões e erros. No entanto, como são
maravilhosos o perdão e a restauração de Deus, o Pai, cujo
caminho é o Senhor Jesus Cristo. Precisamos ver a nós mesmos na
Bíblia. Leiamos o Salmo 51, como nossa confissão e
reconhecimento de pecado, e demos o grito de júbilo pelo perdão e
restauração do Salmo 32.
Tenhamos em mente o Salmo 105:37-41.
Deus ainda livra os Seus da opressão e do perigo, e ainda lhes dá
tudo de que necessitam – quando confiam nele e lhe obedecem.
Aqueles que, sem reservas, confiam em Deus e, pela Sua graça,
andam em Seus caminhos, são guiados pela fé, obediência, e pela
oração e meditação em Sua Palavra.
Tenhamos o devido cuidado com aqueles que,
antes, manejavam os dízimos e ofertas alçadas e pregavam a
necessidade destes para o sustento e o crescimento da obra de
conformidade com a Palavra de Deus, e perderam tal primazia.
Hebreus
7:6-8 afirma: “Entretanto, aquele cuja genealogia
não se inclui entre eles recebeu dízimos de Abraão e abençoou o que
tinha as promessas. Evidentemente, é fora de qualquer dúvida que o
inferior é abençoado pelo superior. Aliás, aqui são homens mortais os que
recebem dízimos, porém ali, aquele de quem se testifica que vive”.
Lucas
11:42, Mateus 23:23 – “Mas ai de vós,
fariseus! Porque dais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as
hortaliças, e desprezais a justiça e o amor de Deus; devíeis, porém,
fazer estas coisas, SEM OMITIR AQUELAS”. Observação: Omitir é
deixar de fazer; sem omitir, sem deixar de fazer.
Portanto,
os que pregam contra o dízimo estão contrários à Palavra e não
podem estar na direção de nossas Casas de Oração e nem ostentar
um cargo ou título bíblico na igreja. Quanto ao praticar a
entrega do dízimo, é um ato de fé; deve ser espontâneo e não obrigatório.
Mas pregar contra o dízimo é inadmissível. O dízimo é uma bênção
para o que dizima e para o crescimento da obra.
Referências
bíblicas sobre o dízimo: Levítico 27:30-33; I Samuel 8:15-17;
Gênesis 14:20; 28:13,22; Números 18:24-26; Deuteronômio
12:11, etc.
As
grandes promessas de Deus ao dizimista:
Malaquias 3:10-12 – “Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro,
para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor
dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar
sobre vós bênção sem medida. Por vossa causa, repreenderei o devorador,
para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não
será estéril, diz o Senhor dos Exércitos. Todas as nações vos chamarão
felizes, porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos
Exércitos”.