Escrito Por Bispo Emir Castro de Macedo
O
Mistério Sagrado do Reino de Deus
NÃO
VEM COM VISÍVEL APARÊNCIA
Nascimento
Anunciado
pelos anjos numa noite que se revestiu de luz. Nasceu em uma
manjedoura de uma estrebaria, após ser rejeitado em uma
hospedaria.
Reflexão
Jesus, o
Verbo de Deus encarnado, o Emanuel, o grande Eu Sou, o unigênito
de Deus, concretiza uma grande e poderosa obra alicerçada na
humilhação. Como Mestre dos mestres, preparando os seus alunos,
insta-os a negarem-se a si mesmos e a aprender dele que é manso e
humilde de coração, com a promessa do refrigério interior –
descanso da alma.
Negar-se a
si mesmo é não dar lugar à inclinação natural, à vaidade, à
exaltação humana com consequente mudança de um princípio que deve
ser o mesmo fim – Alfa e Ômega. Não podemos nos esquecer de que a
verdadeira obra do Espírito se aperfeiçoa na fraqueza, e que
devemos viver na dependência única e exclusiva do Senhor.
PUBERDADE
E ADOLESCÊNCIA
Sua
puberdade e adolescência, na mais completa disciplina e
obediência, adotado por um pai humano, nos leva à adoção de um
Pai eterno. Fala da semente que vai à humilhação do pó; é coberta
pela terra da morte, mas que finalmente germina e dá muito fruto,
sempre morrendo e dando vida!
Oh, que
gloriosos paradoxos, segredos ungidos do Reino de Deus! A humilde
casa em Belém de Judá recebe ouro, incenso e mirra, mas não deixa de
ser uma humilde casa; e nem a manjedoura deixa de ser manjedoura, porque
imutável é a Palavra viva que nela nasceu. É um ambiente de
humildade que recebeu a PAZ, base de uma declaração da mais
poderosa missão.
Ele prega
em toda a Galileia, e aonde quer que vá expulsa demônios, cura os
enfermos, ressuscita mortos e perdoa pecados! Nessa caminhada
gloriosa, cobradores de impostos e pescadores se rendem aos seus
pés. Entra triunfalmente em Jerusalém, não em um cavalo emproado,
símbolo de conquista e vitória pela morte e sangue derramados na
guerra, contra carne e sangue, mas montado num jumentinho, animal
de carga. Penetra no templo e purifica-o, mas, ao sair, anuncia a
sua destruição. Não permitamos que essa Palavra imutável saia do
templo de nossa vida, nosso ser; mas, se porventura saiu, ainda
há tempo: Ele está à porta e bate, ouça a sua voz (Palavra) e
abra a porta do seu coração e volte ao primeiro amor – Apocalipse
3: 20.
Cantares
5:2-5 – “Eu dormia, mas o meu coração velava; eis a
voz do meu amado, que está batendo: Abre-me, minha irmã, querida minha,
pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de
orvalho, os meus cabelos, das gotas da noite. Já despi a minha túnica,
hei de vesti-la outra vez? Já lavei os pés, tornarei a sujá-los? O meu
amado meteu a mão por uma fresta, e o meu coração se comoveu por amor
dele. Levantei-me para abrir ao meu amado; as minhas mãos destilavam
mirra, e os meus dedos mirra preciosa sobre a maçaneta do ferrolho”.
Ele está
batendo, insistindo: “Abre-me...” – versículo 2. Versículo 3 –
Despiu-se de suas vestes de núpcias? Ele quer revesti-lo; bate
para isso. Versículo 5 – Não procrastine, pode ser tarde demais.
Versículo 6 – “O amado se tinha retirado”. Não deixe que
isso aconteça, humilhe-se agora. Ele o ama!
Como é
exaltado nessa caminhada de milagres com Seus apóstolos! Então,
atravessa o vale da escuridão, o ribeiro Cedrom. No Getsêmani,
entra em agonia; seu suor transforma-se em gotas de sangue, e
outra fase se inicia. É preso pelos homens armados dos principais
sacerdotes; é levado ao Sinédrio, tribunal do Sumo Sacerdote,
onde, unidos, dão falso testemunho contra Ele. O Sumo Sacerdote o
acusa de blasfêmia, dizendo que é digno de morte. Ao clarear o
dia, o Sinédrio se reúne e envia Jesus a Pilatos, amarrado; do
palácio de Pilatos, vai ao palácio de Herodes; retorna ao palácio
de Pilatos e, dali, para o Gólgota. A Palavra encarnada, o Verbo
de Deus, sai com vida da manjedoura e recebe a sentença de morte
após sua mutilação, nos aparentes palácios religiosos e
políticos.
Que essa
recapitulação emocionante, rápida e dinâmica do ministério de
nosso Salvador nos inspire à completa dependência da Palavra e do
Espírito, que será de um benefício inestimável para todos que
aguardam o arrebatamento.
Lembremo-nos,
ainda, da profunda experiência de nossos irmãos Paulo e Silas
que, a caminho da oração, foram envolvidos por uma terrível obra
de engano, um espírito de adivinhação que os acompanhou por
alguns dias usando tão gloriosa expressão: “Esses são servos do
Deus Altíssimo que vos anunciam o caminho da salvação”.
Finalmente, Paulo repreende esse espírito de engano, sentindo que
o valoroso nome do Deus Altíssimo era anunciado para
estimular-lhes a vaidade, enquanto auferia lucros para os diversos
senhores; mas Paulo servia a um só Senhor. Esse discernimento lhe
custou muitos açoites com vara após ser desnudo, e a consequente
prisão, num cárcere interior em Filipos, onde foi amarrado ao
tronco com Silas. Mas vimos o glorioso testemunho: não se
lamentaram nem se queixaram, mas oravam e cantavam louvores a
Deus, dando um testemunho profundo e maravilhoso para os demais
prisioneiros, fazendo com que todos – Paulo, Silas, prisioneiros,
o carcereiro e sua família – participassem da glória da
meia-noite. Todavia, Paulo não corria perigo na hora dos açoites
nem como prisioneiro, mas quando se juntou a eles uma obra
paralela, nefasta, de uma horrenda serpente, usando uma jovem
numa satânica imitação e desejada mistura.
CONCLUSÃO
Ezequiel
37 - O Reino de Deus, a caminhada para o arrebatamento
"Veio
sobre mim a mão do Senhor; ele me levou pelo Espírito do Senhor e me
deixou no meio de um vale que estava cheio de ossos, e me fez andar ao
redor deles; eram mui numerosos na superfície do vale e estavam
sequíssimos" – Ezequiel 37:1-2.
A mão do
Senhor veio sobre o profeta para uma gloriosa obra: levá-lo em
espírito, de um lugar aparentemente normal para um lugar sombrio,
triste, fúnebre. O profeta mantém a comunhão e harmonia com o
Senhor em toda a sua caminhada e também no vale de ruínas. Não
fora levado ali para ser envolvido pelo ambiente desolador de
morte, e sim, para dar vida ao que morrera.
Como
estamos nós? Mantendo a comunhão e harmonia na nossa caminhada
deste vale de ruínas que é o mundo, para o lugar de gozo eterno
prometido pelo Senhor que está nos conduzindo pelo mesmo
Espírito? Muitos estão se perdendo na caminhada; não estão
entendendo e se perdem na sequidão. Mateus 25 – Todas as virgens
eram aparentemente idênticas. A diferença estava do lado de
dentro. As prudentes mantinham o interior em comunhão; havia óleo
suficiente para romper a meia-noite e alcançar o ALVO – os braços
do Senhor. Saíram da face do vale da sombra da morte para a FACE
do Senhor da Vida – Apocalipse 19:7-8 e 13.
Vale de
ossos é o interior do homem, para onde o Espírito levou o filho
do homem, centro dos ossos. O exterior era dos ossos para a pele.
Lado de fora, o mortal; lado de dentro, a vida. Que exemplo! O
profeta não se sentiu desencorajado nem desesperado quanto ao que
de repente estava ao derredor dele. Tudo sequíssimo. A comunhão
mantida lhe dava a convicção de que Deus agiria, mesmo naqueles
momentos de dor e sofrimento. A fé, confiança e perseverança
fizeram com que guardasse a palavra restauradora: “Assim diz o
Senhor Jeová a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito e
vivereis”.
Se algum
dia se achar em um único abrigo que ficou em ruínas, persevere em
comunhão porque o Senhor fará chegar a você a GRAÇA DIVINA. Além
da tormenta, está brilhando o SOL DA JUSTIÇA com a solução
superabundante:
Isaías
60:20 – “Nunca mais se porá o teu sol, nem a tua lua
minguará, porque o Senhor será a tua luz perpétua, e os dias do teu
luto findarão.”
A palavra
de vida veio de dentro para fora. Esse filho do homem, hoje, é o
Senhor Jesus, o reino de Deus dentro de nós.
O profeta
foi levado pelo Espírito para o Vale de Sequidão. A igreja está
sendo levada pelo Espírito para a Fonte da Água Viva. Ele é a
VIDA. Receba-a e mantenha-a. Jesus disse em Betânia: “...
ainda que esteja morto, viverá”.
Efésios
5:14 – “DESPERTA-TE!”
Deus os
buscou na face do vale, antes que fossem para a cova. Ele deseja
tirar o pecador do sepulcro do lamento, murmúrio, ressentimento e
desânimo, para a mesa da comunhão na Sala do banquete.
EGO
(NATURAL) OU REINO DE DEUS (ESPIRITUAL) – O QUE NOS DOMINA?
O
Ego
Trabalha no sentido da funesta troca
das bênçãos incomparáveis, por um
pouco de bem-estar, alguma influência e dinheiro,
aumentando os seus bens, buscando os favores
do mundo e a estima de seus faraós.
Nada, porém, pode se comparar a uma
alegria da comunhão com Deus, liberdade de coração para uma consciência pura e
tranquila, desfrutando do verdadeiro louvor, testemunho vigoroso e eficaz por
onde passa.
O
Espírito
Insta-nos contra
a tendência de nos afastar do caminho estreito, porém, glorioso e
seguro; por vezes, áspero, mas sempre agradável, sempre na obediência.
Em I Timóteo
1:18-20, Paulo exorta Timóteo a manter a FÉ e a boa consciência para
não naufragar na fé; cita Himeneu e Alexandre, que entregou a Satanás
para serem castigados a fim de não mais blasfemarem.
Vivamos pela
graça que perdoa toda nossa injustiça, purificando-nos. Vivamos, pois,
em graça e justiça. Salmos 23:3 – “Refrigera-me (restaura) a alma.
Guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome”. I
João 1:9 – “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel
e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda
injustiça”. Exemplo: O filho pródigo regressou ao lar paterno e assentou-se
à mesa com o pai. Pedro, restaurado, pôde enfrentar os varões de Israel
e dizer-lhes: “Vós, porém, negastes o Santo e o Justo” – Atos
3:14. O apóstolo declarou o que cometera antes e que fora perdoado.
Abraão – Deus
chamou-o para deixar a sua parentela, mas ele levou-a consigo. Não
podemos quebrar o elo entre Deus e nós; Jesus – Sua Palavra.
A contenda entre
Abraão e Ló não produziu a FÉ em Abraão e nem o mundanismo em Ló. Apenas
mostrou, no caso de cada um, o que estava realmente nele. O reino de
Deus está dentro de nós ou fora de nós.
Dentro de nós,
rompe tudo. Fora, procura os próprios interesses, quando o seu ego é
contrariado. Não permite que a Palavra seja o CENTRO, que norteie a sua
vida.
O homem de FÉ
proporciona ao homem que anda por vista fazer a sua escolha e procurar a
sua parte por caminhos opostos. Somente a FÉ deixa o fruto de sua
herança num lugar que a natureza abandona. O homem natural (no ego)
busca os próprios interesses e se perde ou enlouquece neles. O homem da
Palavra está perfeitamente seguro, porque é desinteressado quando o natural
faz a sua escolha.
O que escolheu
Ló, quando lhe foi dado preferência? Escolheu Sodoma. Por quê? Olhou
para a aparência e não para o caráter intrínseco. Foi julgado. Fogo do
céu.
Ló - escolheu sua
herança.
Abraão – Deus
escolheu sua herança.
Ló escolheu a
campina bem regada; o seu coração foi atraído por ela. Escolheu o seu
próprio juízo. Tal é a escolha do ego – natureza.
A contenda e a
separação, longe de prejudicarem o estado espiritual de Abraão,
fortaleceram a sua alma, vida e fé. Além disso, foi libertado de um peso
morto, contribuindo para que recebesse as abundantes bênçãos que Deus
tinha para lhe dar.
Os que correm
seguindo o seu EGO caem de um modo ou de outro. Os homens encontram
sempre o seu próprio meio (centro).
Os que se apoiam
no Senhor, são mantidos na vereda pela Sua graça, brilhando e não
apagando, até o dia perfeito – Provérbios 4:18.
Chegamos na hora
– Convidados? Não posso ir.
I Coríntios 10:12 –
“Aquele pois que pensa estar de pé, veja que não caia”.
Mateus 10:22 –
“Sereis odiados de todos por causa do meu nome, aquele, porém,
que perseverar até o fim, esse será salvo”. Misericórdia de Deus
para o que foi chamado – Abraão. Deus o conduziu pelo caminho de Ur à
Canaã – Misericórdia.
Quando Abraão
parou e se demorou em Harã, Deus esperou por ele.
Quando desceu ao
Egito, Deus restaurou-o.
Quando precisou
de orientação, Deus guiou-o.
Quando houve
contenda e separação do que havia somado, contrariando a ordem divina,
Deus tomou conta dele.
Havia um altar
antes e depois no coração de Abraão, que edificou onde habitou nos
carvalhais de Manre, junto a Hebrom.
Ló – não havia
altar em Sodoma, lugar que escolheu, perdendo suas tendas.
Abraão – tinha
sua própria tenda, buscou e achou tudo em Deus.
TRIBULAÇÃO
INTERIOR – CORAÇÃO TURBADO - João 14:1-3
Judas saíra. O
ambiente estava mais leve e Jesus podia falar mais intimamente com os
seus discípulos: “Não se turbe o vosso coração” – João
14:1.
Pela traição de
alguém – porque o ego trabalha para sua própria satisfação. Abandonaram
tudo pensando receber tudo na terra – RESTAURAÇÃO DE UM REINO EXTERIOR.
NÃO COMPREENDIAM A INSTAURAÇÃO DE UM REINO INTERIOR.
A – O exterior
aparente falha, desaparece; é humano.
B – O interior
leva ao eterno.
Receita para
debelar o mal crônico que é comum a todos os
homens:
1. CREDES EM DEUS, credes também em
mim;
2. Causa – Incredulidade;
3. Remédio infalível – Fé na
insubstituível Palavra de Deus;
4. NA CASA DE MEU PAI, há muitas
moradas;
5. Jesus não tinha casa onde reclinar a
cabeça – Hebreus 13:14. Ele é o reclinador. Nós não temos aqui
cidade permanente. Coração turbado – preocupação: casa? cabana? roça? cidade?
mansão? litoral?
6. Não se turbe o vosso coração –
mantenha a ordem divinamente cronológica: Reino de Deus em primeiro lugar, e
estaremos no caminho para a Casa permanente do Pai. A primeira, labor; a
segunda, gozo e paz;
7. VOU PREPARAR-VOS LUGAR. Não se turbe
o vosso coração. É-te negado lugar aqui? Olhemos para Jesus que nos preparou a
Salvação na cruz do Gólgota; já preparou um lugar com SEU PAI, para um povo
preparado. Estamos preparados?
8. VIREI OUTRA VEZ – Misericórdia.
Exemplo: A porta da Graça está aberta. Cantares 3:1 – “De noite, no
meu leito, busquei o amado de minha alma, busquei-o e não o achei.” Perdeu-o?
Volte a buscá-lo!
9. E VOS LEVAREI PARA MIM. Os
rejeitados aqui serão recepcionados ali, onde todos nos conheceremos.
10. ONDE EU ESTIVER, ESTEJAIS VÓS
TAMBÉM. Finalmente no LAR ETERNO, ELE enxugará todas as nossas lágrimas sem
deixar vestígio. O véu deste mundo, que impede a nossa visão, num abrir e
fechar de olhos será retirado, como foi para Estevão – “Mas Estevão, cheio
do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus,
que estava à sua direita” – Atos 7:55.
11. Finalmente, CONHECER O CAMINHO PARA
O PAI. Para onde vamos? E o caminho?
JESUS – Eu sou o Caminho – Mostra e é o
caminho;
JESUS – Eu sou a Verdade – Mundo e
civilização sem Cristo;
JESUS – Eu sou a Vida – Filipe e seu
desejo de ver o Pai.